quarta-feira, 22 de junho de 2011

Os Òrìsás

Os orixás são deuses africanos que correspondem a pontos de força da Natureza e os seus arquétipos estão relacionados às manifestações dessas forças. As características de cada Orixá aproxima-os dos seres humanos, pois eles manifestam-se através de emoções como nós. Sentem raiva, ciúmes, amam em excesso, são passionais. Cada orixá tem ainda o seu sistema simbólico particular, composto de cores, comidas, cantigas, rezas, ambientes, espaços físicos e até horários.
Como resultado do sincretismo que se deu durante o período da escravatura, cada orixá foi também associado a um santo católico, devido à imposição do catolicismo aos negros. Para manterem os seus deuses vivos, viram-se obrigados a disfarçá-los na roupagem dos santos católicos, aos quais cultuavam apenas aparentemente.
Estes deuses da Natureza são divididos em 4 elementos – água, terra, fogo e ar. Alguns estudiosos ainda vão mais longe e afirmam que são 400 o número de Orixás básicos divididos em 100 do Fogo, 100 da Terra, 100 do Ar e 100 da Água, enquanto que, na Astrologia, são 3 do Fogo, 3 da Terra, 3 do Ar e 3 da Água. Porém os tipos mais conhecidos entre nós formam um grupo de 16 deuses. Eles também estão associados à corrente energética de alguma força da natureza. Assim, Iansã é a dona dos ventos, Oxum é a mãe da água doce, Xangô domina raios e trovões, e outras analogias.
No Candomblé cultuam-se muitos outros orixás, desconhecidos por leigos, por serem menos populares do que Xangô, Iansã, Oxossi e outros, mas com um significado muito forte para os adeptos dos cultos afro-brasileiros. Alguns são necessariamente cultuados, devido à ligação com trabalhos específicos que regem, para a saúde, morte, prosperidade e diversos assuntos que afligem o dia-a-dia das pessoas. Estes deuses africanos são considerados intermediários entre os homens e Deus, e por possuírem emoções tão próximas dos seres humanos, conseguem reconhecer os nossos caprichos, os nossos amores, os nossos desejos. É muito frequente dizer-se que as personalidades dos seus filhos são consequência dos orixás que regem as suas cabeças, desenvolvendo características iguais às destes deuses africanos.
Apresento a seguir as descrições dos 16 Orixás mais cultuados. Recordo no entanto que existem diversas correntes no Candomblé e por essa razão as informações poderão ser diferentes de acordo com a tradição ou região.
O candomblé cultua os orixás, deuses das nações africanas de língua Yourubá. Estes deuses são dotados de sentimentos humanos: são extremamente vaidosos e ciumentos.
O candomblé é uma religião genuinamente brasileira, que tem sua matriz na África Ocidental. Esta nova religião começa a Ter origem no Brasil entre os séculos XVI e XIX, com o tráfico dos escravos africanos que foram trazidos para construir a história deste país. O candomblé assim como a umbanda recebeu grande repressão por parte dos colonizadores portugueses, eles consideravam tais religiões como feitiçaria. Segundo alguns estudiosos, é por este fato que começou a surgir o sincretismo religioso, ou seja, para sobreviver as perseguições, os adeptos passaram a associar os orixás aos santos católicos.
O terreiro é o local onde a comunidade se reúne para realizar as atividades do candomblé. É uma parte da África no Brasil. São como ilhas africanas onde todo o universo (Orum e Aye) se reúne. Ali os orixás são convocados e pode ser trocado o Axé e garantida a dinâmica e a continuação da vida.
Os terreiros são unidades completas e fechadas e não existe entre os diversos terreiros nenhum tipo de compromisso, mas pode haver uma relação de amizade.
Na África existem centenas de orixás, mas no Brasil há a penas pouco mais de uma dezena. O terreiro é composto por diversos espaços: há o espaço das pessoas, que é o espaço urbano, civilizado, da ordem. Há o espaço "mato", não civilizado, misterioso, onde estão as plantas sagradas, que representam uma mata africana. Este espaço deveria ser reservado ao Babalossaim (o sacerdote de Ossaim, o orixá das plantas).

No espaço civilizado, quatro tipos de construções devem estar presentes: os Ilê-Orixá, os Ilê-Axé, a casa ou espaço para o culto público e as casas de moradia, que são ocupadas por família de forma permanente ou temporária. Os Ilê-Orixás são os pontos centrais de um terreiro. Ali ficam os assentos dos orixás. Cada orixá tem seu próprio assento e seu Pegi, que é o altar de cada orixá. A casa ou barracão é o maior espaço do terreiro. É o lugar da dança, dos atabaques, da platéia e das pessoas de destaque.
No Pegi estão objetos utilizados na iniciação, quando da fixação de um orixá na cabeça de um iniciado. Diante do Pegi são colocadas oferendas geralmente em forma de alimento. Diante do Pegi, os filhos de um orixá apresentam as oferendas e recebem em troca o Axé, isto é, a dinâmica da vida.
São colocados Pegis para os orixás que tenham filhos naquele terreiro. Exceção feita a Exu, que tem Pegis em todos os terreiros, embora não se fale muito na existência de filhos de Exu. Exu é o orixá mensageiro, o orixá dos caminhos, é quem aplaina s caminhos para os outros orixás, por isso um Pegi para ele em cada terreiro.
No terreiro há também um espaço para os mortos, que fica entre o urbano e o mato. Os mortos são chamados de Eguns e também são objetos de culto. Só através da iniciação, alguém pode ser membro de um terreiro, e este terá de seguir uma rígida disciplina.

quinta-feira, 9 de junho de 2011